Derrotado no segundo turno, Flávio Bolsonaro acusa fraude sem apresentar provas e, já nos EUA, divulga carta em que se declara “verdadeiro presidente eleito”, termo depois trocado por “líder do Brasil”
Na noite de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro disse que não aceitaria “que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”, em referência à decisão do ministro Cristiano Zanin que prorrogou a votação até as 19h. Em vídeo no dia seguinte, afirmou que “não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou” e que a democracia “faliu”, disse que Lula usou dinheiro público para fazer “a maior compra de votos da história” e anunciou que pedirá a cassação da chapa vencedora. Em 28 de outubro, depois de chegar aos Estados Unidos, divulgou uma carta em que, segundo a Agência Brasil, se declarava o “verdadeiro presidente eleito do país”; cerca de meia hora depois, o termo foi trocado por “líder do Brasil”. Na versão publicada pela Gazeta do Povo, ele afirma ter visto “uma fraude eleitoral se concretizar”, diz que vai liderar a oposição a partir do exterior, agradece a Javier Milei e a Donald Trump e cita Juan Guaidó. As reportagens não registram provas apresentadas para as acusações; segundo a Agência Brasil, Lula teve 64 milhões de votos, e Flávio, pouco mais de 59 milhões. Em 29 de outubro, segundo a Gazeta do Povo, Donald Trump disse a jornalistas que a eleição no Brasil foi “uma vergonha”, afirmou que falaria com Lula e não respondeu quem considera o vencedor; segundo a Agência Brasil, União Brasil e MDB divulgaram notas afirmando que o resultado deve ser respeitado, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) disse que “a eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”.
Outro lado: Flávio sustenta que a campanha de Lula cometeu abuso de poder político e econômico. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse à Agência Brasil que “não há provas” de fraude, tratou a acusação como desabafo e atribuiu a troca de termos a “algum problema na confecção da carta”; o PL reconheceu o resultado. O cientista político Cláudio Couto, ouvido pelo Brasil de Fato, considera descabida a tese de que a prorrogação mudou as regras durante a disputa.
- Regras
- grave
- Contribuição
- 2.4 pts
Fontes: Agência Brasil (abre em nova aba), Gazeta do Povo (abre em nova aba), Agência Brasil (abre em nova aba), Exame (abre em nova aba), Brasil de Fato (abre em nova aba), Gazeta do Povo (abre em nova aba), Agência Brasil (abre em nova aba)